O tempo que se chama hoje:
Domingo da 11ª Semana.
A leitura de hoje, Mt 9,36 - 10,8, nos fala da escolha nominal dos seguidores do Carpinteiro e da descrição da Missão que lhes foi confiada. O cenário que nos é colocado é aquele no qual o povo estava cansado, abatido e perdido ou desnorteado. Faz uma analogia sobre a necessidade de ter pessoas ou "trabalhadores" que desenvolvam a atividade de cuidar, zelar ou "tomar conta"; que sejam sinais do D-us-Amor e Pai que a tod@s filia e acolhe. É notória a compreensão de quando se fala em "todo o tipo de enfermidade ou doença", porém a dificuldade de entendimento quando se fala do "estado de espírito", e aí observamos no mais das vezes "uma fuga da realidade" de quem pretende entender a mensagem como "desencarnada" dos nossos problemas cotidianos. Quem não já observou pessoas que estão "doentes do espírito", em estados de ira, "cegos pela raiva", movidas pela violência, pelo ódio, pela vingança, pela exploração, pela mentira, pela opressão, pela ignorância, pela divisão e pela ambição do "lucro fácil"? Apenas para citar algumas doenças da que afligem o espírito das comunidades. O texto nomina todos os enviados, para acentuar a sua origem, pois tod@s foram chamados, de Mateus, cobrador de impostos, passando por Simão, extremista político, até Judas que O vendeu e O traiu. E dar-lhes autoridade para curar doentes, purificar leprosos, "ressuscitar" mortos e expulsar "demônios"; aqui mais uma vez o senso-comum da interpretação, reduz a ação de intervenção dos seguidores a meros "milagreiros" que em nada irão modificar a realidade do coletivo. Primeiramente, é importante o reconhecimento de que as suas ações serão dirigidas às multidões, ao coletivo e ao povo. Não são ações personalistas, individualizadas ou de cunho personalista que busca o proselitismo. E então fica mais fácil a percepção do conteúdo da Missão: doentes eram excluídos, traga-os para o seio da comunidade; leprosos eram, além de excluídos, perseguidos e vítimas de violência que os tangiam para longe e para lugares isolados, até que alguma autoridade pudesse atestar a respectiva cura, ateste-a ("purificar" = ritual que reconhece a cura) e reintegra-os à comunidade; "ressuscitai" os mortos, aqui cabe uma indagação: Quantos tipos de morte conhecemos? Existem vários! Muitos deles de morte em vida! Ressuscita-os = a trago-os de volta para o seio da sociedade. E não apenas o processo de morte enquanto finalização da vida. Expulsai os "demônios"! E quantos não existem em nosso meio? Globalização, dominação, ideologia do mercado, demagogia, prepotência e sede de dominação, retirada de direitos dos trabalhadores e da liberdade dos cidadãos... Só para ficar em alguns. Não pensemos que os males desse mundo são causados pelo sobrenatural. O mal presente no mundo tem sua origem no fazer humano ou na omissão daqueles que teriam a responsabilidade ou obrigação de enfrentá-lo e freia-lo, porém por covardia, por comodismo ou por interesses escusos deixam de agir. E, por fim, nunca nos esqueçamos da regra básica para os seguidores do Caminho: "De graça recebestes, de graça deveis dar!" Reflitamos nestas situações, sem qualquer tentativa de reducionismo da capacidade que D-us tem de escutar os clamores do seu povo. Pensemos nisso. Que a paz esteja com tod@s!
Imagem colhida na internet. Autoria não conhecida.
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